A descoberta da Alergia à Proteína do Leite de Vaca – APLV

17 de setembro de 2013

Como já citei aqui no Blog, a minha filha possui APLV. E, mesmo insistindo no assunto em conversas com as pessoas, muitas ainda oferecem para ela produtos com proteína do leite de vaca. Muitas vezes, quando falo sobre a alergia da minha filha, algumas ainda exclamam: “Ah, é verdade, ela tem intolerância à lactose!”… E, pacientemente, esclareço que ela não é apenas alérgica à lactose – açúcar do leite, mas que ela possui alergia à todas as proteínas do leite de vaca.

E assim, vamos levando a vida… Mas, confesso que às vezes sou tomada pelo desespero! Pela aflição de saber que a minha filha não pode comer tudo o que as outras pessoas estão comendo, que ela pode ter vontade de dividir o lanche do amigo na escola e é controlada pelos professores, que ela não pode comer tudo o que passa na televisão, que ela precisa perguntar se o que ela quer comer têm leite e que essa alergia não tem data marcada para acabar.

E é justamente esse desespero, que me faz pesquisar cada dia mais sobre o assunto, e ter paciência em esclarecer as dúvidas das pessoas. Pois, afinal de contas, as pessoas não são obrigadas a se inteirar do assunto, como eu.

E, respondendo a dúvida sobre como descobrimos que a minha filha tem APLV, conto agora como foi esta descoberta em etapas:

Com 1 mês:

A primeira reação alérgica evidente que a minha filha apresentou (citada brevemente no post Leite de Soja), foi quando ela tinha apenas 1 mês de vida.

Durante a consulta com o pediatra, o mesmo indicou que eu complementasse a amamentação dela com a fórmula infantil NAN. E, logo no início da introdução da fórmula, a minha filha acordou completamente empolada. Assim, corri para o pediatra, e como ela era muito nova para um teste de alergia, o mesmo supôs que ela teria intolerância à lactose, e indicou que trocássemos o NAN pela fórmula infantil especial à base de soja.

Com 3 meses:

Quando a minha filha completou 3 meses, introduzimos outros alimentos em sua dieta, incluindo aqueles que poderiam ter lactose ou proteína do leite. Na época, não fomos orientados a restringi-la de qualquer alimento.

Como a manifestação da sua alergia havia ocorrido na pele, desconhecíamos o fato de que ela poderia apresentar reações no sistema respiratório. Nesse período, a minha filha teve Broncopneumonia. Este primeiro problema respiratório poderia ter a alguma relação com a APLV? Não sabemos responder.

Com 1 ano:

O pediatra recomendou que efetivássemos a introdução da lactose através do leite de vaca assim que a minha filha completasse um ano de vida, e observássemos a reação do seu organismo. Contudo, mudamos o seu leite para o Ninho, e nada foi observado que evidenciasse a sua alergia.

Neste mesmo período, observei que ao oferecer o Sustagem Kids, a minha filha sempre apresentava náuseas e vômito, fazendo com que não mais oferecêssemos este complemento alimentar infantil para ela. Com certeza, esta também foi uma reação do seu organismo, mas não tínhamos conhecimento suficiente para identificarmos a alergia.

E, como meu marido e eu temos rinite desde crianças, tratamos este problema que ela também vinha apresentando, como um fato isolado. Em nenhum momento relacionamos este problema também com a APLV.

Com 3 anos:

Foram realizados diversos tratamentos para a rinite alérgica, e para os problemas respiratórios que ela vinha apresentando. Inclusive, a matriculamos na natação para melhora do seu sistema respiratório.

Foi neste período que a minha filha apresentou a segunda – e principal – reação alérgica evidente. Em um final de semana de maio deste ano, percebi que a minha filha estava bastante quieta e sentindo sono mais que o normal. E percebi isso, pois ela foi dormir às 20h00 em um sábado, o que é bastante incomum na nossa rotina, pois normalmente ela é bastante agitada e dorme por volta das 23h00.

No domingo, a minha filha começou a tossir. E, como percebi que a tosse estava aumentando gradativamente, passamos a medicá-la com um xarope para a tosse que o pediatra dela indicou na última consulta. E depois de 2 dias e meio da administração do xarope, ela empolou novamente.

Corri para o Pronto Socorro, e ela foi medicada para inibir a alergia. De acordo com a médica, ela apresentou alergia ao corante do xarope. Questionei sobre a tosse, e a médica informou que o remédio da alergia inibiria também a tosse.

No dia seguinte, feriado, estava esperando que a minha filha acordasse para medicá-la conforme orientação médica. Mas, quando ela acordou e fui trocá-la, percebi que ela estava novamente com manchas vermelhas pelo corpo.

Corri novamente para o Pronto Socorro, e lá a médica nos informou que se eu já a tivesse medicado, ela não teria empolado novamente. E, desta vez, insisti muito quanto à tosse que a minha filha vinha apresentando. No mesmo Pronto Socorro foi tirado um raio-X do seu pulmão, e foi descoberta uma pneumonia silenciosa.

A minha filha ficou internada durante 6 dias para tratamento da pneumonia. E, entre os diversos exames que a minha filha fez no Hospital, em nenhum momento foi pedido um exame chamado teste RAST (teste de IgE específico que permite confirmar qual é o provável alérgeno responsável pelas manifestações alérgicas do paciente).

Sim, a pneumonia foi uma reação à sua Alergia à Proteína do Leite de Vaca.

Durante a alta da minha filha, fomos orientados a usar a medicação receitada, e após o período de 40 dias, retornar com um médico pneumologista.

E assim foi feito, e no retorno com o pneumologista, foram pedidos diversos exames. Entre eles, foi feito o teste RAST, e assim, foi diagnosticada a APLV.

Tratamento:

O tratamento indicado pelo pneumologista foi a dieta de exclusão do leite de vaca e o medicamento Singular Baby para tratamento das suas reações alérgicas (problemas no sintoma respiratório).

E agora, por indicação do pneumologista, iniciamos também um tratamento a base de vacina alergênica manipulada, com doses diárias. São duas doses da vacina, a primeira 15 minutos antes da primeira refeição do dia, e a outra, 15 minutos após a última refeição do dia.

Assim, prosseguirei com o tratamento, e concentrarei todas as minhas forças para fazer com que a minha filha sinta o mínimo possível a sua Alergia à Proteína do Leite de Vaca, até que ela seja abençoada com a cura desta alergia.

Um abraço, Mari.

14 comentários

  1. Olá, Mari.
    A minha filha também tem APLV e eu também passo por situações parecidas.
    Acho que o nosso papel é divulgar o máximo de informações possível sobre a alergia à proteína do leite e ajudar a esclarecer as dúvidas e confusões que a maioria das pessoas faz.
    Um abraço.
    Luciana
    http://www.lumaedamalu.blogspot.com.br

    • É verdade, Luciana.
      Obrigada pelas palavras!
      Abraços, Mari.

  2. ethiene

    Olá
    Minha filha foi um bebê inquieto, não dormia, teve alergias na pele e assasuras.
    Após muitas crises respiratórias levamos ela em uma pneumologista que pediu um exame Rast e descobrimos a alergia ao leite de vaca.
    Graças a Deus, apos a exclusao total de derivados hoje ela é uma criança sem rinite, broquite e afins como os pediatras diziam.

    • Mari Marchesin

      Que boa notícia, Ethiene!
      Após a dieta de exclusão minha filha melhorou e após dois anos de dieta foi liberada a consumir os alimentos antes proibidos e não apresentou reação. O começo é difícil, digo que até desesperador, mas com o tempo nos adaptamos e descobrimos que a alergia à proteína do leite de vaca não é assim, um bicho de sete cabeças.
      Sucesso para você e sua filha.
      Continue acompanhando a nossa história através do Blog Desafio Mamãe.
      Um abraço, Mari.

  3. Fernanda

    Olá! Achei seu site pesquisando sobre tosse seca e intolerância ao leite. Minha filha tem 2 anos e apresenta continuamente uma tosse seca, está fazendo tratamento com uma otorrino, mas não tem adiantado. Ultimamente ela tem reclamado de dor na barriga e percebi que a tosse aumenta após tomar mamadeira. Há dois dias comprei um leite zero lactose para testar (feeling de mãe) e achei que melhorou substancialmente. Os filhos de vocês apresentavam essa tosse seca? Por favor, se puderem me ajudar com dicas de leitura ou informações… estou entrando nesse mundo agora e estou bem perdida. Obrigada!

    • Mari Marchesin

      Olá Fernanda,
      Não havia notado tosse seca até o momento da minha filha apresentar urticária e eu levá-la para o Pronto Socorro. Lá, informei da recente tosse seca e ela estava com pneumonia. A tosse seca pode ser sim um sinal de APLV, o ideal é levá-la a um pneumonologista especializado em alergias (como asma, por exemplo) e infecções de repetição (sinusites e/ou pneumonias, por exemplo). Não faça a dieta de restrição ao leite de vaca sem consultar um médico.
      Aqui no Blog Desafio Mamãe relato como foi a minha experiência com a descoberta da APLV da minha filha. Através do Google podemos também encontrar muitas informações sobre tal alergia.
      A APLV assusta, mas podemos nos adaptar à ela.
      Boa sorte para você e muitíssima saúde para a sua pequena.
      Continue acompanhando a nossa história através do Blog Desafio Mamãe.
      Um grande abraço, Mari.

  4. Juliana

    Meu filho foi diagnosticado com esta alergia aos 3 meses. Passamos a dar o Pregomim.
    Graças a Deus ele não desenvolveu maiores complicações pois o problema foi descoberto logo.
    Mas isso não me desespera não. Estou esperando minha aprovação no programa Leite especial do Sus que pode demorar uns 4 meses ou mais.
    Sabemos exatamente o que elas têm e como evitar os danos da alergia. Desesperador é quando seu filho tem uma doença grave sem prognóstico de cura.

    • Mari Marchesin

      Olá Juliana,
      É verdade. Estou torcendo para que muito em breve seu filho possa ter acesso à produtos com proteína do leite de vaca, assim como minha filhota. Vejamos pelo lado bom: após a dieta sua alimentação ficou muito mais balanceada e sadia.
      Continue acompanhando a nossa história através do Blog Desafio Mamãe.
      Abraços, Mari.

  5. Descobri há um mês que meu filho tem APVL, com 2 meses de vida ele teve bronquiolite, e com 7 meses uma pneumonia, e com 1 ano e 3 meses outra, até então tratávamos como se fosse uma rinite que virava algo mais sério, e agora com 1 ano e 6 meses levei à uma alergista que diagnosticou, e antes mesmo dos resultados dos exames, a mesma fez a alteração do leite para o Aptamil Pepti da Danone, isso melhorou bastante, e também começamos uma série de medicamentos para ir amenizando, e como ele ainda mama, eu tbm tive que entrar na dieta.
    Coemçamos agora nessa árdua caminhada, mas tenho fé que vai dar certo.

    • Mari Marchesin

      Olá Giselle,
      Sim, o diagnóstico assusta, mas com muito amor tiramos de letra.
      Um forte abraço, Mari.

  6. Ana Paula

    Quais outros alimentos vc dava a ela

    • Mari Marchesin

      Olá Ana Paula,

      Desculpe-me pela demora para responder.
      Clique no meu APLV (desenho da vaquinha) para descobrir outros alimentos sem proteína do leite de vaca e sem receitas sem proteína do leite de vaca.
      Continue acompanhando a nossa história através do Blog Desafio Mamãe.

      Um abraço, Mari.

  7. Ana Flavia Garcia Comenale

    Olá Mari! Sou Ana mãe do Gustavo, hoje com 18 anos. Aplv apresentando nos exames “superior 100”.
    É uma trajetória e tanto. Sua primeira reação foi com leite Nan com 6 meses, 1mamadeira. Uns dias depois 1 mamadeira de ninho… vomitou tanto que fiquei muito assustada. Com 8
    Uns 7 meses minha tia comprou danoninho e eu não queria dar mas ela disse q toda criança comia só o meu que não. E então eu dei. A boca dele inchou na hora e ela disse que eu havia machucado a boca dele com a colher, fiquei tão ofendida pois eu era mãe aos 21 anos , mãe de primeira viagem maa jamais machucaria meu bebê. Peguei minhas coisas e fui embora. Chegando em casa fui troca lo, e por intuição eu coloquei leite de vaca numa xícara de café molhei meu dedo e passei no rosto dele, foi instantâneo apareceu um vergao no local. Assistada levei ele ao médico. Ha 18 anos atrás as informações eram mínimas. Ela me disse q ele era intolerante e pediu para excluir leite . O tempo foi passando e e conseguimos outro médico e esclarecimentos vieram. O excluir é tudo que contém pode conter, no caso dele é muito alto. Por vezes ja fomos parar no pronto socorro, adrenalina e até UTI. Na uti foi pq comeu um chocolate de soja a famosa contaminação cruzada. E assim seguimos ate hoje. As vezes levando cada susto.
    Eu estou sempre atenta com sintomas das crianças e sempre falo pra mãe pedir ao médico exames de alergia. Não entendo pq eles demoram tanto pra fazer. Hoje tem muito mais opção de alimentos. Hj é bem mais fácil. Boa sorte pra nós.

    • Mari Marchesin

      Olá Ana Flavia,

      Obrigada pelo relato!
      A APLV por si só é muito difícil, mas convencer as pessoas da existência dela complica ainda mais. Uma pena!
      Boa sorte para nós!
      Continue acompanhando a nossa história através do Blog Desafio Mamãe.

      Um abraço,
      Mari.

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